Anotações de uma viagem a Petrolina, em Pernambuco.
Neste último fim de semana, foram vendidos – no fim de semana – 450 apartamentos de R$ 70 mil, em 15 prédios diferentes, para compradores com renda entre 3 e 6 salários mínimos.
Amanhã, ainda em Petrolina, haverá um outro lançamento, com 500 unidades.
Os dois, dentro do programa Mina Casa, Minha Vida, da Caixa.
Segundo Alex Jenner Norat, superintendente regional da Caixa em Pernambuco, o programa Minha Casa, Minha Vida aplicará R$ 34 bilhões para resolver apenas 14% do déficit habitacional do país.
Ou seja, ainda há muita casa popular a ser construída.
(Só para fazer uma comparação: a única obra parecida do governo do Farol de Alexandria, um Programa Habitacional de Interesse Social, tinha R$ 300 milhões para aplicar. Uma pequena diferença.)
Em 2006, havia 1.600 alunos matriculados em escolas técnicas do Estado de Pernambuco.
A construção civil cresce 20% ao ano em Pernambuco.
O comércio, 10%.
A indústria, 6%.
Este ano, serão 16.000 novas matrículas.
Uma simples mudança no ICMS permitiu que, este ano, sejam gerados 18.000 empregos na indústria do call center.
No Complexo Portuário de Suape foram gerados 15 mil empregos.
O estaleiro Atlântico Sul abriu 9 mil vagas.
Há 96 empresas em operação em Suape.
Em Suape será criado um polo petroquímico, com especialização em fibras têxteis.
Em Suape, haverá um pólo para prover equipamentos e serviços para a indústria do gás e petróleo off-shore.
10 mil pernambucanos trabalham na transposição do rio São Francisco.
A próxima etapa da construção da refinaria Abreu e Lima, uma sociedade da Petrobrás com Hugo Chávez, vai precisar de 12 mil empregos adicionais.
A ferrovia Transnordestina terá a extensão de 1.730 quilômetros e ligará os Estados do Ceará, de Pernambuco e do Piauí.
Vai exigir investimentos de R$ 5,4 bilhões.
A ferrovia fará a ligação dos centros de produção de grãos (Piauí), gesso (Pernambuco), avicultura e agricultura irrigada do semi-árido nordestino, aos portos de Suape em Pernambuco, e Pecém no Ceará.
Deverá criar 7 mil empregos diretos.
A fruticultura irrigada de Petrolina – da uva sem caroço e da manga sem fibra – produz mais de um milhão de toneladas por ano.
Em Pernambuco é onde, hoje, no Brasil, o crédito cresce mais rápido.
Em um ano, a carteira, segundo o Banco Central, cresceu em Pernambuco 65%.
MADRI, 28 dez 2009 (AFP) – O diretor-geral doSantander, o primeiro grupo bancário espanhol, Alfredo Saénz, foi condenado nesta segunda-feira pela justiça de Barcelona a seis meses de prisão por acusações falsas de fraude contra clientes quando era presidente do Banesto, filial do Santander.
O processo envolve outros dois funcionários de alto escalão do banco, Miguel Ángel Calama e Rafael Jiménez de Parga, e cada um será obrigado a pagar multa de 9.000 euros.
Os fatos remontam a 1994. Segundo a sentença, Saénz teria forçado quatro clientes a pagar uma falsa dívida de 3,6 milhões de euros (5,1 milhões de dólares). Na época, ele era presidente do Banesto que, por sua vez, recorrerá da sentença. Por ser réu primário, Saénz não irá para a cadeia.
No entanto, caso o veredicto seja confirmado, ele será obrigado a abandonar o cargo que ocupa atualmente no Santander.
PS: O Fábio Barbosa,cujo Banco no Brasil não tem nada a ver com a história, deve estar com saudade do Banco Real ABNAmro. O que ele vai ter de ficar explicando aqui no Brasil não vai ser pouco. Já tem um caso cabeludo que são os investidores do Banco levados para aplicar nos fundos do Madoff (aquele que deu um pequeno rombo de alguns bilhões de dólares nos clientes) e agora mais um caso.
Este blog torce para que o Fábio Barbosa seja nomeado Presidente do Bnco Central do Brasil pelo Lula e depois pela Dilma.
“O suposto esquema de pagamento de propinas envolvendo membros do Executivo e Legislativo do Distrito Federal é uma prática que ocorre, neste momento, em outros lugares do país, porque o problema central está na apropriação do orçamento público para fazer negócios privados. Essa constatação é do experiente cientista político de Brasília Antônio Flávio Testa, que em entrevista ao Contas Abertas ainda afirmou que os deputados da Câmara Legislativa do DF, salvo “muito poucas exceções, apresentam uma performance política e ética muito aquém do mínimo aceitável numa democracia”. “É difícil avaliar a atuação de políticos que se corrompem e utilizam meias para guardar dinheiro de propina e justificam esse ato como se fosse para preservar sua integridade física”, diz. “Esse tipo de político [que fez a 'oração da propina'], desprovido de qualquer dosagem de escrúpulo, de ética, de senso crítico, deveria ser banido do sistema político e do religioso. Pois desonram, com essas práticas, tanto o Parlamento como o tabernáculo, que lhe dá sustentação eleitoral. Os péssimos exemplos são muitos. As boas ações ainda são invisíveis, se é que existem”, avalia. Segundo Testa, o sistema de governo no país está bem corrompido. “Mensalões são usuais na prática política brasileira. No Brasil, política é a disputa entre grupos privados pelo controle do patrimônio público. Se puxar o fio de meada, com transparência, o efeito será de um dominó caindo sobre o outro. Um tsunami político”, acredita.
CA – Como o senhor avalia essa crise pela qual passa os poderes Executivo e Legislativo do Distrito Federal, respingando um pouco ainda no Ministério Público?
Testa – A relação entre os Três Poderes revela uma articulação para fazer prevalecer interesses de grupos que estão no comando desses poderes, sobretudo do Executivo e do Legislativo, mas supervisionados pelo Judiciário. Na prática, ocorre a captura desses poderes por grupos que se revezam no comando das máquinas de governo, executiva e legislativa, com aliados poderosos no Judiciário. Isso leva a uma lógica funcional que impede a fiscalização mútua entre os Três Poderes. Acontece o contrário: um tipo de cooptação que leva a um mecanismo de proteção mútua entre os poderes, mantendo os interesses corporativos dos grupos que estão no comando das instituições de governo.
CA – Há anos, muito se critica o comportamento ético de boa parte dos deputados distritais da Câmara Legislativa do DF. No entanto, todos que ali estão são eleitos democraticamente pelos cidadãos. Não há uma contradição nessa questão?
Testa – Aparentemente sim. O processo eleitoral é democrático, mas o sistema político funciona de forma a induzir o eleitor a escolher candidatos que, na maioria das vezes, pertencem a corporações econômicas, militares, policiais, religiosas, sindicais e outras oligarquias, com interesses particulares muito bem definidos. Uma vez eleitos, atuam muito mais como representantes dos interesses dessas corporações do que em defesa da sociedade, do bem comum. A Câmara distrital é um exemplo real desse fenômeno. São poucos os parlamentares que atuam como representantes da população. É uma Câmara corporativista e distanciada profundamente dos interesses e das necessidades da população. A grande contradição está exatamente nesse fato: a população eleje candidatos que irão trabalhar intensamente para viabilizar interesses de grupos privados, além de interesses pessoais. Não há, salvo poucas e notórias exceções, parlamentares distritais que apresentam um desempenho compatível com a dimensão geopolítica do Distrito Federal. Os cidadãos são iludidos por um sistema político eleitoral enganoso, que cobra seu voto, mas não garante o retorno qualitativo dessa escolha.” Entrevista Completa,::Aqui::
Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a marginal ajudaram a alagar a zona leste Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
por sugestão do leitor Mário Macaíba
Em São Paulo
As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.
“Mesmo fechando as comportas, encheu o [córrego] Aricanduva. Se eu não tivesse fechado aqui, teria alagado as marginais e toda São Paulo”, justificou Sérgio, que explicou que a decisão vem da direção da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Ele acrescentou ainda que no dia 9 duas comportas foram abertas às 10h10 e mais duas às 21h.
O engenheiro argumenta que cada barragem (são quatro em São Paulo: Móvel, Penha, Mogi das Cruzes, Ponte Nova) é responsável apenas por administrar o fluxo de água do local e não sabe o que acontece nos outros pontos, porque não há comunicação. Mas ele acredita que as comportas foram abertas nas barragens de cima, em Mogi, e isso influenciou no alagamento da região da zona leste.
“Não recebo informações de outras barragens. As de cima são administradas pela Sabesp e as de baixo pela Emae. Eu só respondo por essa barragem e às ordens da Emae”, disse. “Também acho estranho o nível da água não baixar aqui e não sei por que está indo para os bairros, mas não precisa ser especialista para ver que está assoreado [o rio]“.
Ele trabalha há quase 15 anos no local e conta que desde o governo de Orestes Quércia (1987-1991) não são colocadas dragas para desassorear o rio na parte que fica acima da barragem. “O governo tentou colocar de novo, mas a própria Secretaria de Meio Ambiente não deixou, porque não tinha bota-fora [local para despejar a terra retirada]“, afirmou.
O desassoreamento do rio daria mais velocidade ao escoamento da água e aumentaria a área de reserva de água perto da barragem, o que impediria o transbordamento para os bairros adjacentes.
Para Ronaldo Delfino de Souza, coordenador do Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, o governo fez uma opção. “Ou alagava a marginal ou matava as pessoas no Pantanal. E matou”, disse. “E ainda bota a culpa nas moradias. O Estado só se preocupa com o escoamento de mercadorias, só pensa em rodovia. Vida humana não importa”.
Moradores e deputados estaduais fizeram nesta quarta-feira (17) uma inspeção no local para saber se a abertura das comportas tinha relação com o alagamento no Jardim Romano e no Jardim Pantanal, que já dura nove dias.
O movimento, formado por moradores de diversos bairros localizado na várzea do rio Tietê, acusa o governo do Estado e a prefeitura de manterem a água represada além do necessário como forma de obrigar as famílias a deixarem a região, onde será construído o Parque Linear da Várzea do Rio Tietê. Há anos, os moradores resistem em sair dali, porque dizem que o governo não apresenta um projeto habitacional concreto e apenas oferece uma bolsa-aluguel.
“Não era para as máquinas estarem trabalhando aqui? Cadê? Não tem um funcionário do governo aqui”, reclamou, apontando para as ilhas que aparecem no meio do rio, logo acima da barragem da Penha. As dragas são vistas somente na parte de baixo da construção.
“Os córregos do Pantanal já estavam muito cheios três dias antes da chuva. Como não abriram a barragem sabendo que ia chover?”, perguntou Souza, indignado. “O que a gente viu aqui é que não houve possibilidade de escoamento, porque a água ultrapassou o nível das comportas e não tinha velocidade para descer, não tinha gravidade”, concluiu.
Segundo os registros da barragem, no dia 8 a água ficou acima do nível das comportas por 5 a 6 horas. Sérgio explicou que a queda do rio Tietê é de apenas 4% e por isso a vazão demora cerca de 72 horas desde a barragem de Mogi das Cruzes até o centro da cidade — isso sem chuva. “É demorado, sempre foi”, disse.
“Imagina o que uma hora de comportas fechadas não faz de estrago lá no Pantanal”, falou Souza, diante dos dados. “Se fecha aqui, a água para de novo, perde velocidade e vai demorar mais 72 horas para descer”, afirmou.
Os deputados estaduais que acompanharam a inspeção concordam con a teoria dos moradores. “Foi feita uma escolha e a corda estourou do lado mais fraco”, afirmou o deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). “É uma questão grave. A falta de comunicação e de um gerenciamento unificado são prova de uma falta de governância e de um planejamento na administração das barragens, o que levou, em grande parte, ao fato do bairro do Pantanal ter sido alagado”.
“Há uma estranha coincidência de que no momento da desocupação há um alagamento desses e ninguém consegue escoar a água. Não havia uma inundação dessas há 15 anos e o nível das águas está subindo mesmo sem chuva. É muito estranho e as autoridades têm que explicar”, completou o deputado estadual Adriano Diogo (PT).
Eles farão um relatório sobre a inspeção e pretendem denunciar o caso, junto com a situação da estação de tratamento de esgoto, aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.
Além de conviver com a inundação e o mau cheiro do esgoto que a Sabesp está despejando no bairro, os moradores do Jardim Romano (zona leste de SP) estão apreensivos ao andar pelas águas que ocupam as ruas do bairro porque o local está cheio de cobras.
Ontem,uma cobra na rua Capachós. Com seu barco improvisado, o morador pegou o animal com um bambu que usa como remo e o retirou da enchente. “Está cheio destas por aqui. Até na minha casa apareceu uma”, disse ao jornal Agora.
Moradores continuam na merda
Uma semana depois da forte chuva que caiu sobre São Paulo, os moradores do Jardim Pantanal continuam convivendo com alagamento de esgoto da Sabesp
Moradores dizem que governador José Serra (PSDB) fechou comporta do Tietê, e que por isso o alagamento e o esgoto está sendo despejado no bairro Pantanal. Oficialmente, a justificativa do governo para alagamento de sete dias da Favela do Pantanal foi a quebra de uma bomba de tratamento de esgoto da Sabesp. Isso teria impedido o escoamento da água. Já moradores do bairro acusam o governador José Serra de ter fechado uma comporta do Tietê, para evitar que a água represada naquela área provocasse alagamento ao longo do rio, principalmente nas marginais.Isso prejudicaria ainda mais o trânsito da cidade
SP: prédio com apartamentos de R$ 7 mi é liberado após 15 anos
Depois de quase 15 anos de batalhas judiciais e disputas com a prefeitura de São Paulo, o edifício VIlla Europa da rua Tucumã, no Jardim Paulista, zona oeste da capital, deve ser finalmente entregue a seus moradores. Uma vistoria da Secretaria Municipal da Habitação atestou que o prédio, com 15 apartamentos de luxo avaliados em R$ 7 milhões, foi projetado para ter 86,6 m e tinha 116,7 m. O Villa Europa chegou a ser considerado obstáculo para os aviões que pousam no Aeroporto de Congonhas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
As unidades do prédio de linhas neoclássicas têm 560 m² de área útil cada. As readequações durante os 15 anos custaram entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões. Mesmo com a longa demora na entrega, o advogado da construtora afirma que nenhum dos compradores desistiu do negócio. A expectativa da incorporadora é que os apartamentos sejam entregues no primeiro semestre de 2010.
Menina de 10 anos que impactou a todos tocando Chopin como há muito não se via, faz jus ao nome de batismo: tem brilho inconfundível
Parece que o desempregado Carlos Alberto estava adivinhando quando deu à sua primeira filha o nome de Crystal. A menina de 10 anos que impactou a todos tocando Chopin como há muito não se via, faz jus ao nome do registro de nascimento: tem um brilho inconfundível.
Poucos sabem que no escondido conservatório Musicale, localizado entre uma lojinha e outra do centro do Recife, está a mais recente celebridade do País, a pianista prodígio Crystal.
Moradora de uma invasão em Jaboatão dos Guararapes, Crystal não ficou famosa por ser apenas um exemplo de superação, mas por revelar um talento inquestionável diante de tantas pessoas. “Em 30 anos de ensino, eu nunca vi algo assim”, revela a atual professora de piano Joana Darc Florêncio. Entrando na salinha do conservatório podem ser vistos um piano, um senhor e uma criança de pele escura e cabelos crespos. É exatamente assim que Crystal passa os seus dias, na presença de seus grandes amores: o pai e o instrumento.
Vinda de uma comunidade de baixa renda, o primeiro contato com a música foi aos sete anos, quando viu uma pessoa tocando piano durante um culto na igreja batista que a família frequentava. Ela perguntou ao pai se poderia aprender a tocar piano. Segundo seu Carlos, foi um dos momentos mais felizes da vida dele. “Eu disse que ela poderia tudo o que quisesse na vida, se fosse dedicada”, contou o pai. Este seria apenas o primeiro de vários conselhos que viriam direcionar Crystal para uma carreira de sucesso. Crystal ouviu o pai. Na própria igreja, começou a ter aulas e desde então o interesse pelo instrumento só cresceu. “No meu primeiro dia de aula, o professor me deixou com o piano e foi ao banheiro. Quando ele voltou, eu já estava fazendo a escala de dó”, conta a garota tocando as notas primárias no Essenfelder em que estava estudando.
Durante a entrevista, Crystal agia com a espontaneidade de uma criança. Enquanto responde, ela dança, pula, quase cai da cadeira, vai lá fora, volta. A menina de presilhas cor-de-rosa no cabelo parece não compreender a dimensão do que está acontecendo à sua volta. “Ela é muito trelosa. Só pensa em bicicleta, sorvete. Ela e o irmão, Mateus, de quatro anos, são os bagunceiros da casa.
Depois de um tempo de estudo na igreja, Crystal conseguiu entrar para o conservatório da sua cidade e então foi descoberta pela professora Helena Barros. A professora, que tinha uma preciosidade nas mãos, apressou-se em levar o “artigo raro” para a “análise” de duas profissionais de sua confiança, as professoras Joana e Janete Florêncio. “Engraçado que naquela mesma semana nós estávamos comentando que há tempos não víamos um grande talento no piano”, contou Janete. “Quando Helena nos contou de Crystal, pensamos ser exagero, mas a menina chegou, sentou no piano e leu sozinha uma partitura dificílima de Chopin. Não acreditamos que este talento estava escondido esse tempo todo”, completou.
Três meses foram suficientes para afinar a garota para um torneio que se realizaria no Conservatório Pernambucano de Música. Crystal tocou e ganhou para pianistas de todo o Nordeste na categoria especial. Foi então que os convites começaram a surgir, inclusive o de participar do show dos sertanejos em São Paulo. “Eu nunca tinha saído daqui, foi muito bom, mas melhor ainda foi tocar para aquelas pessoas”, conta Crystal. Questionada sobre o medo de se apresentar diante de tanta gente, a menina responde agora como adulta: “Fiquei um pouco nervosa. Mas quando eu começo a tocar, o nervosismo passa. Quando você tem intimidade com o seu instrumento, parece que só tem você e ele ali, mais ninguém”.
As preocupações da menina também são de gente grande. “Agora que eu ganhei um piano, eu sonho com três coisas: uma casa melhor, um emprego para o meu pai e que todo mundo da minha família seja feliz. Eu sei que Deus me deu um dom, e vou usar ele para realizar todos os meus desejos”, conta.
Ao final da entrevista, a memenina volta ao piano. As pequenas mãos que quase não alcançam as oitavas se movimentam precisamente, mas com muita naturalidade. A sala se enche com melodia, impossível não emocionar a quem escuta. Aliás, neste caso, ouvir não basta. É necessário vê-la para crer. (D.M.)
Paixão pela música vem muito antes do berço
A maturidade de Crystal não surgiu de uma hora para outra. Carlos Alberto do Espírito Santo, além de pai, é o seu grande mentor e se preocupou desde sempre em preparar a filha para as difíceis situações com que ela poderia se deparar. “Quando ela ia ensaiar no piano do colégio, eu chamava todos os seus amigos para ouvi-la. Ela reclamava, mas eu dizia que era para ela se acostumar, porque no futuro, ia tocar para muito mais gente”, lembra o pai.
“Crystal, o piano é a criatura, você é o criador”. Os conselhos de Carlos Alberto são responsáveis por muito do que a filha é hoje. Desempregado, ele acredita que a falta de um trabalho faz parte dos planos de Deus, já que, se estivesse ocupado, não teria tido tempo para cuidar da formação da filha. Segundo seu Carlos, “Papita”, como chama carinhosamente a filha, foi resposta de orações. Também aos dez anos, ele começou a se interessar por música erudita e estudar sobre o assunto. O rapaz de vida sacrificada acumulou conhecimento, mas teve de guardá-lo, pois, segundo ele, não havia ninguém que se interessasse em conversar sobre aquilo. “Então eu pedi a Deus que colocasse alguém em minha vida com quem eu pudesse compartilhar o que eu mais gostava. E essa pessoa é Crystal. Apesar de ser nova, ela é minha amiga e eu não sou só seu pai, mas protetor, conselheiro e acima de tudo amigo”, afirma.
No entanto, ele conta que nem sempre a vida foi fácil para a sua família. Quando Crystal começou a se interessar pelo piano, muitas dificuldades surgiram, inviabilizando muitos dos sonhos que Carlos tinha para a filha. “Houve uma época em que Crystal desanimou, perguntou porque ela não tinha um piano e nem dinheiro de passagem para estudar em algum lugar. Eu perguntei a ela: você confia no seu pai? As dificuldades não podem nos enfraquecer e sim nos fortalecer”. As palavras surtiram efeito e pai e filha continuaram numa jornada sem saber onde tudo ia dar. “Eu confio em Deus, sei que ele tem o melhor. Olho para trás e vejo como a vida da minha filha mudou em apenas três meses”, diz com a voz embargada. Ele passa alguns segundos com a cabeça baixa e completa: “Eu já disse para ela que o que interessa não é a fama, porque televisão, eventos, tudo isso passa. O que eu quero é que ela busque o sucesso, sem nunca deixar de lado os valores que aprendeu”. (D.M)