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Um réquiem para FHC

2, novembro, 2009 Sem comentários
O texto do ex-presidente tucano, publicado em vários jornais no domingo, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre as políticas de seu governo e as do governo Lula: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves.
O artigo é de Gilson Caroni Filho.Gilson Caroni Filho

As palavras são as armas. E foi acreditando em sua capacidade de manejá-las com destreza que Fernando Henrique Cardoso tentou atacar o presidente Lula em seu artigo publicado no jornal O Globo, do último domingo. Em sua vaidade desmedida, imaginava-se escrevendo um texto inaugural, um manifesto histórico capaz de desvendar a cena política, retirando a oposição do estado letárgico em que se encontra. O efeito foi exatamente o contrário.

O texto mal escrito, sem sentido em muitos parágrafos, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre a política econômica do governo e a da gestão petista: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. Triste para o prestigiado sociólogo, deplorável para o experiente político.

Comparações são ociosas, mesmo porque cada polemista tem o seu tempo na história. Mas não é de hoje que o sonho do“”príncipe dos sociólogos” é ser um Carlos Lacerda redivivo. Vê a si próprio como um panfletário versátil e demolidor, capaz de usar as palavras como metralhadoras giratórias nas mãos de um guerrilheiro. O problema é que seu estilo é tosco e seus escritos ininteligíveis. Não é capaz de açular os medos da classe média, mesmo usando os velhos ingredientes que vão da ameaça de uma república sindicalista a um quadro incontrolável de corrupção. Não aprendeu que, sem o apoio das bases sociais que o acompanham, seu suposto prestígio pessoal conta pouco.

Para criar condições de instabilidade superestrutural não bastam editoriais, artigos e noticiários de jornalistas de direita. É preciso que as classes dominantes se encontrem excepcionalmente reunidas em torno de um só objetivo. Para isso, do outro lado, tem que haver um governo fragilizado, com escassa base de apoio, incapaz de promover crescimento econômico com redistribuição de renda. Reeditar uma“”Marcha da Família com Deus, pela liberdade” não é o troféu fácil que o voluntarismo pedante imagina.

Quando escreve que “é possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública”, seu objetivo é tão claro como raso.

É uma volta ao passado como farsa. Aos tempos em que os nacionalistas lutavam por uma solução independente para extração e refino do petróleo, de importância estratégica para o desenvolvimento do país, enquanto os entreguistas definiam-se abertamente pela exploração do produto pelo capital estrangeiro. Claro que estamos tratando de realidades distintas no tempo e no espaço, mas a motivação da direita é idêntica. E é a ela que a inspiração de FHC se dirige, inebriado como se cavalgasse uma fulgurante carreira política. O desespero e o patético andam sempre de mãos juntas. Ainda mais se lembramos “quem cevou os facilitadores de negócios na máquina pública” no período que vai de 1994 a 2002.

Criticando o que chama de “autoritarismo popular”, o candidato a polemista prossegue: “Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.”

A recorrência aos riscos de uma república sindicalista mostra a linhagem golpista do artigo de FHC, mas a falta de prudência, indispensável para quem pensa estar escrevendo um novo Manifesto dos Coronéis, leva a indagações. O autoritarismo de mercado, marca do seu mandato, é exemplo de democracia? A era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia fortalecia as instituições do Estado Democrático de Direito? Ou não seria exatamente o oposto? Um bloco de poder composto pelo agronegócio, grandes corporações midiáticas e uma burguesia desde sempre associada, que privilegiava a ampliação crescente das margens de lucro, ignorando os custos sociais que isso implicava. Qual a autoridade política do ex-presidente para interpelar o atual?

O que foi seu governo senão uma tentativa desastrosa de adaptar o aparelho de Estado às exigências criadas pelo neoliberalismo, contendo, a todo custo, as reivindicações dos trabalhadores do campo e da cidade? No final, com uma impopularidade recorde, a superestrutura política entrou em crise e os aliados contemplaram a rota de afastamento. É a isso que FHC nos convida a voltar?

Outra observação interessante pode ser extraída desse trecho: “Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?”. Aqui, o lacerdista frustrado ultrapassou qualquer limite da sensatez. Abriu o flanco, ao permitir a inversão da pergunta que faz.

Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no “Dossiê da Vale do Rio Doce”, “o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna”. Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões. Em nenhum outro período a máquina estatal foi usada para transferir recursos públicos para o capital privado como nos dois governos do tucanato. Foi a esse continuísmo que a população deu um basta em outubro de 2002.

O que se pode depreender das linhas escritas pelo tucano que queria ser corvo? FHC se especializou na arte do embarque em canoas onde o lugar do náufrago está antecipadamente destinado ao canoeiro de ocasião. Julgava estar redigindo um artigo que funcionaria como divisor de águas. Mas afundou junto com ele. Escreveu o seu próprio réquiem, levando junto velhos próceres do PSDB. Um trabalho e tanto. Extremamente apropriado para leitura no dia 2 de novembro.

 

FHC e seu PSDB não suportam o reconhecido sucesso internacional do Lula e querem dar o golpe de estado

1, novembro, 2009 Sem comentários

PHA: FHC agride Lula para escapar da irrelevância

1/novembro/2009 11:50

A inveja tem a vantagem de corroer o invejoso por dentro

A inveja tem a vantagem de corroer o invejoso por dentro

O Farol de Alexandria subiu o tom.

Rasgou a fantasia.

Despiu-se do pudor que convém a ex-presidentes.

Agora, ou vai ou racha.

Ou os holofotes do PiG (*) se voltam para ele, ou desaparece.

O artigo que escreveu hoje no Globo e no Estadão chama o Presidente Lula de golpista, peronista, portador de um autoritarismo populista (?) e, como sempre, o considera um desqualificado.

Diz que Lula quer um “poder sem limites”.

Ou seja, acusa Lula de querer ser ditador.

Ele sempre fez isso, porque nunca teve a compostura de um ex-presidente da República.

Sarney, Collor e Itamar respeitaram os sucessores.

O Farol jamais engoliu o sucesso de seu sucessor.

Só que, neste domingo, depois que um aliado de Zé Pedágio decidiu  jogá-lo ao mar  – clique aqui para ver o que Roberto (quem ?) Freire disse dele no Ceará -, depois que Aécio deu um ultimato a seu rebento – clique aqui para ler “Aécio não vai na garupa de ninguém”, o Farol caminha para a irrelevância a passos largos.

Para morrer atirando, o artigo de hoje ultrapassa as regras da etiqueta política.

As decisões de Lula são uma “enxurrada” , “esdrúxulas”, “sem sentido”.

Lula criou “o maior espetáculo da Terra” – nome de um filme que, na juventude do FHC, tratava da vida num circo … -, governo “de riqueza fácil que beneficia poucos”.

Lula comete “transgressões”.

“Atropela” a lei e os “bons costumes”.

Por que será ?

Lula tem algum filho bastardo que não se conheça ?

“Desvio” (de dinheiro ?).

“Loucura”.

“Apoteose verbal”.

“Despautério”.

Um estilo que “pouco tem a ver com nossos ideais democráticos “.

Que dizer que Lula vai dar o Golpe ?

Autor de “pequenos assassinatos”.

A partir daí, o Farol retoma a agenda do PiG (*).

Ou seja, as causas heróicas que movem as milícias de colonistas (**) do PiG (*) e ajudam a criar o PUM (***) do PiG (*).

Ele defende o pré-sal para os clientes do escritório do Davizinho.

Morre de saudades da Petrobrax.

Defende o Roger Agnelli e os tucanos que ele emprega na Vale.

Que Lula não põe ninguém na cadeia (só falta dizer que o “Engavetador Geral da República” trabalha no Governo Lula …)

Que Lula quer a Bomba Atômica para entrar no Conselho de Segurança.

Aí, FHC é mais entreguista do que normalmente parece.

Como ele enterrou os planos de o Brasil ter vida nuclear autônoma, ao assinar um tratado de não proliferação, aqui, agora, o Farol quer jogar Lula na companhia do Irã, tornar o Brasil um “rogue State”, para que Lula não se sente no Conselho de Segurança da ONU.

Porque, nesse dia, FHC vai cortar os pulsos para valer …

O Farol diz que o PAC empacou.

Diz que o Minha Casa Minha Vida não anda.

Ou seja, repete a pauta dos editores do PiG (*).

Mas, tem uma novidade no pensamento do Farol.

Sem dar crédito a Chico de Oliveira – da mesma maneira como tentou engolir o Enzo Falleto, que escreveu com ele sobre a “Dependência” irrevogável do Brasil aos Estados Unidos -, o Farol tenta se apropriar da tese de que os fundos de pensão mandam no Brasil.

Essa é uma outra discussão.

E o Conversa Afiada já demonstrou o que pensa disso, no episódio da patranha da BrOi.

Clique aqui  para ler a representação com que entrei no Ministério Público Federal do Distrito Federal.

Porém, o Farol está interditado de falar sobre esse assunto.

Ele entregou os fundos de pensão a Daniel Dantas, a quem chama de “brilhante”.

Clique aqui para ler “FHC se esquece de que deu pos fundos de pensão a Daniel Dantas”.

Como o de Alexandria, o Farol será destruído por um terremoto.

E ninguém verterá uma lágrima por ele.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(***) PUM é Pensamento Único da Mídia.